
A CARTA CORINGA - ROBSON LEÃO
Estrutura Literária:
A dominação deste pequeno território (que é na realidade, a cidade de Bagdá no Iraque, e isto têm uma explicação no livro) se dará através do único modo que a humanidade vê para distribuir um território de forma justa: pela guerra.
Porém, não somente a lei do mais forte prevalecerá, como também, a lei do mais apto (que na realidade é a “lei” correta dita por C. Darwin), ou seja, mais sagaz. O mundo de A Carta Coringa é um mundo que não possui valores, a não ser a obtenção de poder e força, tudo é permitido e nada é previsível. Se as diferentes civilizações do livro não se adaptarem a imprevisibilidade, elas se extinguirão e isso reflete no desenvolvimento da história do livro, ocorre a total eliminação de clichês do tipo mocinho contra vilões, a previsibilidade de um final feliz, porém com os dados logicamente estruturalizados, o leitor além de se entreter com a história, ele deverá montar um quebra-cabeças de situações e idéias que repercutirão em um suspense e uma resolução imprevisível ao final do livro, por isso, também posso classificar este livro como Suspense.
A Experiência:
Outra característica importante neste livro e que a comprovei em uma pré-avaliação que fiz dele com um grupo de colegas jovens que não se interessam pela leitura e como conclusão eu consegui a façanha de fazer com que eles apreciem a literatura, pelo menos deste estilo de livro, devido a uma característica do livro, qual seja, a de atenuar a personalidade de cada personagem importante da história de forma complexa, originais, únicas e que realmente foram muito difícil de serem produzidas e são vários os personagens, fiz especialmente um estilo de personalidade para cada tipo de gosto ou pelo menos, uma boa parte dos estilos de gostos, em que tive como base os meus estudos em Filosofia da Mente e Psicologia. Cada jovem, em que fiz esta experiência, se identificou com um dos personagens e também com um tipo de civilização das várias que existem no livro e eles discutiam uns com os outros na tentativa de defender a sua preferência. O experimento também consistiu na criação de um jogo de RPG baseado na história de A Carta Coringa para um melhor entretenimento e entendimento com a literatura. Como sou professor, sei aplicar o método educativo unido ao pouco de entretenimento, além disto, este tipo de jogo, qual seja, RPG, é interessante porque é um jogo baseado em um livro e não em aparelhos eletrônicos e faz com que o jogador viva realmente um dos personagens usando somente a sua imaginação, ou como eles mesmos diziam: “RPG é um jogo psicológico.” e assim eles sentiam a pressão causada pela realidade do livro, e no final diziam: “É uma sensação gostosa, ter o poder em suas mãos, mas eu pessoalmente não agüentaria viver em um mundo como este”. E esta sensação é uma das principais mensagens do livro, o poder traz satisfação, mas grandes poderes trazem grandes responsabilidades e esta responsabilidade ou a falta dela pode mudar o futuro da humanidade. São somente poderes trazidos pela ciência avançada do livro, mas também pela política.
O livro A Carta Coringa apesar de haver algumas complexibilidades, ele não possui um estilo de leitura restrita ao público culto, ele possui uma linguagem razoavelmente fácil e uma leitura um tanto informal, tanto para agradar aqueles já acostumados com Ficção Científica quanto para agradar aqueles que não possuem muito gosto pela leitura, tentando fazer com que este livro sirva como um estimulante à literatura aos jovens, mas ele está aberto a todos os tipos de públicos, exceto o público infantil porque apresenta algumas cenas de violência e terror, mas de forma educacional, necessário para alertar a humanidade contra a banalização da própria violência no mundo real.


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