
A CARTA CORINGA - ROBSON LEÃO
Estrutura da História:
O livro começa com um prólogo contando toda a história que repercutiu até chegar a este mundo pós-apocalítico, a história se inicia na guerra entre os Estados Unidos e o Iraque, ou seja, sob fatos reais até chegar ao mundo fictício de A Carta Coringa.
Tudo começou por causa da misantropia adquirida por apenas um indivíduo, qual seja, um indivíduo chamado Alexandre Cevit. Cevit não passava de um homem miserável que possuía os seus sonhos honestos, seu maior sonho era se tornar um bioquímico, um cientista, mas ele não possuía oportunidades, infelizmente, ele não conseguiu terminar seus estudos devido a sua situação sócio-econômica, se pudéssemos resumir o seu cotidiano com apenas uma palavra, esta palavra com certeza seria: violência. Cevit era um indivíduo amargurado e frustrado com a sua situação, ele se considerava praticamente arrancado de sua liberdade de poder viver conforme a sua vontade.
Mas apesar de tudo, Cevit era um indivíduo muito inteligente, porém, sofrimento e inteligência pode ser uma combinação perigosa. Cevit se tornou traficante de drogas sintéticas produzidas por ele mesmo, ele optou pelo crime pela raiva que possuía do mundo, “já que o mundo não funciona em prol do Bem, então eu devo me filiar ao seu funcionamento correto”. Após isso, ele viu que tinha o “dom da morte”. Como ele não gostava de sua aparência, ele aprendeu a se disfarçar, além disto, como ele era uma pessoa sem muitos atrativos a sua presença era praticamente imperceptível, unindo isto mais a sua facilidade em criar drogas sintéticas, mais o seu ódio resguardado sobre a humanidade, Cevit se tornou um assassino profissional de primeira qualidade, o inacreditável é que finalmente, desta forma, Cevit se viu com muitas oportunidades de trabalho.
Após alguns anos, alguns mafiosos e algumas pessoas da alta sociedade o conheciam pelo apelido de “A Carta Coringa”, apelido dado a ele pelas suas várias faces e pela eficiência da execução limpa, Cevit usava narcóticos baseados em Potássio que não eram perceptíveis na necropsia. Seus clientes também o chamavam assim porque quando eles não tinham uma solução para enfrentar a concorrência do mercado ou política, então eles usavam a sua Carta Coringa que resolve qualquer situação no jogo.
Mas como o crime não compensa, Cevit foi pego pela polícia e em seu julgamento ele disse a célebre frase que se inicia o livro: “Mas que culpa eu tenho se a humanidade tende a se voltar contra as suas próprias criações?”
Com ajuda de excelentes advogados ele conseguiu ficar alguns anos detido em um hospício estadual. Após alguns anos, ao sair do hospício, Cevit se viu com recursos suficientes e uma porcentagem maior de misantropia para executar o seu maior sonho, em que ele mesmo dizia: “Meu maior sonho irá se realizar, mas que se tornará um pesadelo para aqueles que me criaram.”.
Como para ele o maior mal do mundo era a violência, e a máxima da violência era representada através das guerras e do contraste na distribuição de renda, Cevit focou seus planos na guerra entre os Estados Unidos e o Iraque, primeiramente por ele considerar os Estados Unidos o maior criador de ódio na humanidade e por isso, ele deverá pagar pelos seus pecados. Cevit não queria ser um terrorista, ele queria se servir como um espelho, usando o mal da humanidade contra ela mesma.
Cevit armou um plano perfeito: criou um vírus mutante em laboratório derivado da Ébola, espalhou este vírus em vários aeroportos do mundo inteiro com o dinheiro que ainda tinha dos assassinatos contratados, que foram assegurados com um pequeno suborno dado aos juízes e para a polícia federal. Cevit escolheu estratégicamente os aeroportos que seriam infectados e os que não deveriam ser infectados, é claro, os países infectados pertenciam ao quadro de diplomacia norte-americana, incluindo o próprio Estados Unidos e os países não-infectados seriam aqueles que possuem diplomacia com o Iraque.
Isto serviu como motivo para elevar o ódio dos Estados Unidos. Incrivelmente, o plano de Cevit deu certo, os Estados Unidos acusou o Iraque de ter proliferado o vírus mutante, logo, criado em laboratório, o que dá ensejo aos Estados Unidos para acusar o Iraque de uso de armas químicas e biológicas, tais como já havia tentado tal acusação anteriormente.
A ideologia Iraquiana nunca permitiria uma ofensa deste nível e então se iniciou a Terceira Guerra Mundial, principalmente porque a ONU também foi infectada pelo vírus.
O Iraque se viu perdido por haver tantos inimigos, os Estados Unidos conseguiu explorar e dominar boa parte do território iraquiano, foi quando a resistência iraquiana lança as primeiras bombas nucleares, a Grande Guerra Nuclear havia iniciado.
A Grande Guerra Nuclear acabou com o planeta Terra, logo se iniciou um inverno nuclear global e todas as cidades que sobraram no mundo foram exterminadas pela radiação e pelo vírus mutante de Cevit, ele havia concluído seu sonho, porém estranhamente o único lugar na Terra que permaneceu sadio foi Bagdá.
Bagdá é uma ótima escolha simbólica porque representa dois lados da moeda, o primeiro é o lado contemporâneo, é a terra dos Iraquianos, uma terra que vive em guerra contra os Estados Unidos e contra os Palestinos, sob uma visão geral é a terra do terrorismo e da violência e pelo lado bíblico, portanto, antigo, é a terra sagrada e segundo o Gênesis, a mesopotâmia é também a localização do Jardim do Éden, e tal como a lei de Ouroboros, uma lei mística e não-científica, o fim está ligado ao começo e vice-e-versa. É claro, a ciência defende o africoncentrismo, quero dizer, a maior parte dos antropólogos biológicos, foi na África que surgiu o homo sapiens, mas confesso que sou particularmente ateu e possuo predileção pela visão científica de mundo, mas resolvi usar o início religioso, o mito do Jardim do Éden que faz parte das três maiores religiões do mundo como forma de despertar uma visão “holística” sob todos os tipos de pensamentos humanos, e é claro, que também a religião comove a maioria da população humana e traz um maior significado aos termos usados como analogia no livro, o simbolismo religioso é certamente mais profundo.


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